A história de Noriko

Noriko

Há três anos, uma garota filipina foi tema de diversos programas de tevê, capas de revistas e manchetes de jornais japoneses e também estrangeiros.

A adolescente, chamada Noriko Calderon, de apenas 13 anos, teve de decidir em ficar no Japão – país onde nasceu e cresceu – ou voltar com os pais, deportados, para as Filipinas. Ela ficou e o caso ganhou os holofotes da mídia.

Fiz uma entrevista com a garota para a revista Capricho (edição de 7 de junho de 2009, número 1072). Acho que ficou bem bacana. Para quem não conhece a história da menina, segue aqui um trecho do texto que foi publicado pela revista.

As lágrimas que teimaram em não cair por tanto tempo, encharcaram as mangas do uniforme escolar de Noriko Calderon no dia 13 de abril de 2009. Foi naquela tarde, no aeroporto internacional de Tóquio, que a garota de 13 anos disse adeus aos pais, Arlan e Sarah. “Naquele dia de manhã fui para escola, como todos os dias. Só que voltei mais cedo e, quando saímos de casa, foi que bateu uma grande tristeza”, lembra a garota. “No caminho queria que o tempo parasse ou que o aeroporto não chegasse nunca.”

Mas o temido momento chegou. E o drama da família filipina, que lutou por quase três anos na Justiça para poder permanecer no Japão, terminou ali, num abraço demorado e emocionado. Com as vozes embargadas, pais e filha fizeram promessas de se esforçarem para um dia, quem sabe, voltarem a viver felizes como antes. Todos juntos. A partir dali, a menina ficaria sozinha no Japão enquanto os pais seguiriam, deportados, para o país natal, as Filipinas.

O lance todo começou em julho de 2006. Noriko estava na escola quando pai foi buscá-la. “Levei um susto porque ele ainda estava com o uniforme do trabalho”, conta. O coração palpitava forte e ela sentia no ar que algo não estava bem. “No caminho para casa, fiquei sabendo que minha mãe tinha sido presa e que eu não era japonesa, mas filipina. Não conseguia entender nada. Filipina, eu? Como?”, questionava.

Até então, a garota achava que era japa, assim como os pais. Mas os Calderon, na verdade, tinham entrado no Japão com passaporte falso no começo dos anos 90. Noriko nasceu anos depois e cresceu sem saber desse pedaço da história dos pais. “Briguei na hora com meu pai porque achava que ele devia ter contado antes”, fala. “Mas depois, não toquei mais no assunto.”

Esse é só um trecho da matéria. Mas acho que deu para conhecer a história da garota neh? Depois de mais de dois anos de batalha judicial, Noriko teve de fazer sua escolha. Os pais a apoiaram, já que ela só fala o japonês e quer terminar os estudos aqui. Ela vive agora com uma tia casada com japonês.

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