Category: Stories

  • Mistério para todas as idades

    Um trio de detetives marcou minha infância. Leo, Gino e Ângela, criados pelo brilhante Marcos Rey, ajudaram-me a fazer deliciosas viagens literárias em busca de soluções para os mais variados crimes

    Sempre gostei de livros de mistérios. Lembro-me de ter “devorado” quase todos os livros da série Vaga-Lume que tratavam do tema. Mas meu primeiro contato com esse gênero foi O Gênio do Crime, de J.C. Marinho.

    Depois, foi a vez da série A Inspetora, de Santos de Oliveira. Mais tarde, já adolescente, mergulhei em obras mais complexas, como as de Agatha Christie e Stephen King.

    Mas um trio de detetives marcou bastante minha infância. Leo, Gino e Ângela, criados pelo brilhante Marcos Rey, ajudaram-me a fazer deliciosas viagens literárias em busca de soluções para os mais variados crimes. O primeiro da série é O Mistério do 5 Estrelas. Depois o trio volta à ação em O Rapto do Garoto de Ouro e em Um Cadáver Ouve Rádio.

    A última aventura dos amigos foi em Um Rosto no Computador, lançado em 1993. Foi justamente este livro que resolvi reler para reviver o clima de mistério – que há muito tempo não fazia parte do meu universo literário atual (tenho preferido biografias e romances).

    Para começar, um dos detalhes que me chamou a atenção (e que não lembrava mais) foi o fato do autor citar o computador como algo novo, quase que um “bicho de sete cabeças”, que

    começou a fazer parte do cotidiano dos brasileiros realmente no começo dos anos 90. Quem não viveu a época, não imagina o quanto era difícil fazer trabalhos escolares. Sou ainda do tempo da máquina de escrever e do mimeógrafo.

    Bem, mas vamos ao enredo do livro. Ele conta a história de Camélia, uma jovem que sai da Bahia escondida dos tios (ela é órfã de pai e mãe) e vai participar de um concurso de beleza em São Paulo.

    Ingênua e bela, a moça desaparece misteriosamente na capital paulista. Para resolver o caso, entra em cena o trio de amigos Leo, Gino e Ângela.

    O que mais gosto nas tramas de Marcos Rey é a descrição que ele faz dos detalhes e das pistas que deixa, mesmo que num simples diálogo. Os mais atentos poderão solucionar o mistério rapidinho. Mas mesmo sabendo quem é o culpado, o escritor nos prende até o final, pois é somente nos capítulos derradeiros que se entende os reais motivos do criminoso.

    Um Rosto no Computador é um livro infanto-juvenil, super fácil de ler, mas eu recomendo para todas as idades. Relê-lo agora me fez recordar uma porção de coisas da minha infância e me instigou a querer ler outras obras de mistério.

    Capa da edição mais atual. No meu tempo, a editora era outra e fazia parte da Coleção Vaga-Lume

    Sobre o autor

    Marcos Rey é, na verdade, pseudônimo de Edmundo Donato. Ele nasceu em São Paulo em 17 de fevereiro de 1925 e morreu no dia 1 de abril de 1999. Além de escritor, foi tradutor e cineasta brasileiro.

    Ele publicou toda sua obra em vida – são mais de cinquenta livros entre romances, contos, novelas e ensaios. O primeiro trabalho com o nome Marcos Rey, aos 16 anos, foi o conto Ninguém Entende Wiu Li, no suplemento literário de domingo da Folha da Manhã (atual Folha de S.Paulo), em 1942. 

    Foto: Divulgação


    Trecho do livro

    Era o boy do hotel. Mais uma braçada de camélias. Era a terceira que recebia. O cartão. Sempre a mesma frase escrita à máquina: “Você ainda será minha”.  Decidiu fazer alguma coisa. Haviam dito, na manhã das apresentações, que o anjo da guarda, o rapaz chamado Leo, encarregado de atender as candidatas, era uma espécie de detetive, capaz de livrá-las dos engraçadinhos. Foi procurá-lo. Encontrou-o na portaria, atarefado.

    – Posso falar com você?

    – Algum problema, Lia?

    – Quero lhe mostrar o que tenho recebido. E lhe passou os três envelopes. – Vêm com flores.

    Leo leu os cartões.

    – São endereçados à senhorita Camélia… É você?

    – Meu verdadeiro nome.

    – Tem idéia de quem manda isso?

    – Nenhuma

    (…)


    O Caso do Filho do Encadernador

    Autor: Marcos Rey

    Editora: Atual

    Categoria: Autobiografia

    Sinopse: “Romance da vida de um romancista” – assim Marcos Rey definiu esta sua autobiografia, escrita para os jovens leitores. O autor narra, reflete, questiona, enquanto nos conduz pelo tempo numa fascinante viagem através de sua própria história de vida e da sua perseverança pelo ideal de escrever e publicar seus livros.

    O Mistério do 5 Estrelas

    Autor: Marcos Rey

    Editora: Global

    Categoria: Infanto-juvenil

    Sinopse: O livro já vendeu perto de 3 milhões de exemplares desde o seu lançamento nos anos 1980. Conta a intrigante história que acontece dentro de um hotel cinco estrelas. Um homem é assassinado no apartamento 222 do Emperor Park Hotel. O único que viu o corpo foi Léo, o mensageiro. Mas ninguém acredita em suas histórias, a não ser os amigos Gino e Ângela. 

  • Entrevista com Monja Coen

    🇧🇷 Entrevista que fiz com a Monja Coen para a Revista Conecta. Ela se tornou um alento em tempos difíceis de pandemia do novo coronavírus, a Covid-19, e de outras mazelas da sociedade. Budista há mais de três décadas, a líder espiritual e fundadora da Comunidade Zen Budista usa seus ensinamentos para construir uma sociedade plural e afetuosa. Sem fazer pregações ou discursos com viés puramente religioso, Monja Coen usa a vivência para inspirar as pessoas.

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  • 70 anos do bombardeio de Tóquio

     

    http://www.youtube.com/watch?v=dkFGOVpn_9k

     

    Em março de 2015 completaram-se 70 anos do bombardeio de Tóquio. Na noite entre os dias 9 e 10 de março, 334 aviões B-29 lançavam milhares de bombas incendiárias sobre Tóquio.

    Estas bombas deram início a um incêndio que matou mais de 100 mil pessoas.

    Foi um evento mais mortal que o bombardeio a Hiroshima, que matou cerca de 80 mil pessoas instanteneamente em agosto daquele mesmo ano. A bomba atômica sobre Nagasaki, por sua vez, matou cerca de 50 mil instantaneamente.

    Apesar das proporções, o bombardeio contra Tóquio foi praticamente esquecido ao redor do mundo e até mesmo no Japão.

     

    Fonte: BBC Brasil. História original aqui.

     

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    Seventy years ago on the night of 9-10 March (1945), in the Japanese capital, 334 American B-29 bombers dropped thousands of tonnes of incendiary bombs on the city’s crowded wooden neighbourhoods.

    They started a fire storm that burned at over 1,000 degrees and killed more than 100,000 people.

    It was an event that dwarfed even the atomic bombing of Hiroshima, yet it’s been all but forgotten around the world – even in Japan.

     

    tokyoFotos: Reprodução

  • Cartas da guerra

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    Esta matéria foi publicada na revista Alternativa. Mas como foi pouco divulgada pela mídia em geral, achei legal republicar aqui. Além do mais, adoro História. Mas antes de ir para os fatos, queria contar um detalhe da apuração da matéria. No caso, foi como consegui a foto. A imagem que vocês vêem ai em cima é Cortesia do Conselho de Educação da Prefeitura de Oita. É lá que foi parar a tal carta.

    Liguei para o tal conselho, expliquei o que queria e eles disseram que não tinham a imagem. Só o museu local é que possuía a foto. Liguei para o museu e a “tiazinha” não quis saber de muito papo — ela claramente não estava preparado para um pedido de imprensa. Recorri à Associação de Intercâmbio Internacional, que ligou no Conselho de Educação e, 15 minutos depois, a mesma senhora que tinha me atendido na primeira vez me ligou e disse que estava enviando a foto por e-mail. Ué, ela não disse que não tinha a foto?? Vai entender esses japoneses… Agora vamos à história:

    Duas cartas encontradas no final do ano passado no Japão mudaram a imagem do almirante da Marinha Imperial Japonesa, Isoroku Yamamoto (1884-1943). “Se dependesse dos meus verdadeiros sentimentos (em relação aos ataques aos Estados Unidos) eu não seria capaz de seguir em frente com essa obrigação que me foi designada”, escreveu ele.

    Caso tivesse seguido seus “sentimentos”, a história poderia ter sido outra. Yamamoto foi o mentor dos planos de ataque à base norte-americana de Pearl Harbor, na manhã de 7 de dezembro de 1941. O bombardeio culminou na entrada oficial dos Estados Unidos na Segunda Guerra Mundial e no início da Guerra do Pacífico.

    O militar, na verdade, foi um forte defensor da solução diplomática para o conflito. Mas ele sabia que os partidários da via militar, cujo maior entusiasta era o almirante Osami Nagano, estavam cada vez mais perto de conseguir empurrar o país para a guerra.

    Então Yamamoto tratou de elaborar o melhor plano possível para o complicado ataque. Mas o levante foi considerado um fracasso, pois os norte-americanos não só se recuperaram rapidamente, como responderam com ataques violentos ao arquipélago. Se tivesse sido outro o mentor da estratégia militar, talvez a história seguisse outro rumo.

    Yamamoto

    Contra a guerra
    A descoberta das cartas, uma datada em 31 de maio de 1938 e a outra em 8 de dezembro de 1941, mostram o verdadeiro sentimento do oficial japonês em relação à guerra. “Eu sou contra a vontade popular (de nos aliar à Alemanha e à Itália) e vou descobrir as dificuldades de pensar assim”, registrou na primeira mensagem. “Alguém sabe o tamanho da dificuldade de colocar a vida em risco por discordar de algo que é senso comum?”, questionou.

    As correspondências originais ficaram em poder do vice-almirante Teikichi Hori (1883-1959), um grande amigo de Yamamoto, e estavam escondidas esse tempo todo entre os pertences do oficial na casa do neto dele.

    Elas vieram à tona depois que pesquisadores do Arquivo Histórico descobriram que Yamamoto era contra o Pacto Tripartite – o acordo assinado em Berlim em 27 de Setembro de 1940 pelos representantes da Alemanha nazista, da Itália fascista e do Japão, e que formalizou a aliança conhecida como Eixo.

    Akiko Yasuda, pesquisadora-chefe, contou à imprensa japonesa que eles haviam achado fragmentos das idéias de Yamamoto nos arquivos de Hori. “Mas tínhamos dúvida se as frases eram realmente do almirante. No entanto, a descoberta (das cartas originais) prova a veracidade”, disse.

    Agora, as peças estão sob os cuidados do governo de Oita, província natal de Hori, e se encontram no Arquivo Histórico de Sabedoria Antiga da Prefeitura de Oita.

  • Dois anos – Two years

    Terremoto

    A primeira visita à Minami Sanriku, uma pequena vila de pescadores na província de Miyagi, ficará para sempre gravada na minha memória. Fui até o povoado nos primeiros dias após o tsunami de 11 de março de 2011. Difícil descrever o que vi por lá. Parecia cena de filme de catástrofe. Paramos o carro logo na entrada da cidade e, mesmo sem saber a dimensão da tragédia, eu e três colegas de trabalho ficamos ali paralisados, apenas observando, por longos minutos.

    Não trocamos nenhuma palavra. Não me lembro também de ter olhado para o rosto dos meus colegas. O silêncio era rompido apenas por carros que passavam pela estrada. Ao longe, o segundo piso de um sobrado parecia intacto em meio a tanta destruição. Um casal de japoneses caminhava com dificuldade em meio aos destroços. Procuravam por algo. Talvez uma foto ou qualquer objeto pessoal – tarefa quase impossível.

    Um pouco mais distante, uma senhora lavava objetos num rio sujo. Ver fotos e brinquedos de criança em meio à lama me partiu o coração. Cada vez que avançávamos em direção ao mar, o cenário piorava. Era destruição demais. O olhar perdido das pessoas e a tristeza que pairava no ar se misturavam ao cheiro da água do mar que formava poças por todos os lados e criavam um clima pesado.

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    Quando me lembro de determinadas cenas, meus olhos se enchem de lágrimas. O que será que aconteceu com a menina que, incansavelmente, não parava de chamar pela mãe entre os destroços? Ou as dezenas de crianças que ficaram por mais de um mês esperando os pais irem buscá-las na escola? E o senhor que viu a esposa e a mãe serem levadas pela onda gigante e não tinha como ajudá-las?

    Milhares de histórias foram contadas. Todas trágicas.

    Ainda há muito para ser reconstruído no Japão. E fico cada vez mais impressionado com a capacidade de se reerguer dos japoneses. Esse povo perdeu tudo em vários momentos da história e sempre conseguiu superar tudo, mesmo com sofrimento estampado no rosto.

    Após um longo período de repouso, por causa de uma doença, voltarei a postar aqui. Para recomeçar essa fase, farei uma série sobre minha cobertura do terremoto/tsunami/desastre nuclear. Por favor, deixe seu comentário!

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    The first time I’ve been to Minami Sanriku, a small fishing town in Miyagi prefecture, will remain forever engraved in my memory. I went to the village in the first days after the tsunami of March 11, 2011. Hard to describe what I saw there. It looked like the scene of a disaster movie. We stopped the car at the entrance of the city, and even without knowing the extent of the tragedy, me and three colleagues stood there paralyzed, just watching for long minutes.

    We stayed there in silence. Nobody said any words. I do not remember also have looked into the faces of my colleagues. The silence was broken only by passing cars on the road. By far the second floor of a house seemed intact amid so much destruction. I saw a Japanese couple walking with difficulty in the wreckage. They were looking for something. Maybe a photo or anything personal – almost impossible task.

    A little farther, a lady was washing objects in a dirty river. Having seeing photos and children’s toys in the mud broke my heart. Each time we moved towards the sea, the scenario worsened. It was too much destruction. The people were looking lost. And the sadness that hung in the air was mingled with the smell of sea water that formed puddles everywhere.  I felt heavy.

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    When I think about some scenes, my eyes fill with tears. I wonder what happened to the girl who tirelessly kept calling his mother in the rubble? Or the dozens of children who stayed for over a month waiting for their parents go pick them up at school? And how about the old guy who saw his wife and mother being taken by the giant wave and could not help them?

    Thousands of stories have been told. All tragic.

    There is still much to be rebuilt in Japan. And I’m increasingly impressed with the ability to rise from the Japanese. These people lost everything several times in History and always managed to overcome all, even with pain on his face.

    After a long rest period because of a serious illness, I am returning to post here. To start this phase, I will write about my coverage of the earthquake / tsunami / nuclear disaster. Looking forward to hear your comment.

  • E agora? / And now?

    Minami
    “E agora? Não sei mais o que será da minha vida”. O choro, inevitável e incontrolável, tomava conta daquele senhor há dias. Ele não tinha mais referência. Perdeu casa. Perdeu trabalho. Perdeu familiares. Assim como a cidade e o porto de Minami Sanriku, uma vila de pescadores na província de Miyagi, suas esperanças foram levadas pelo tsunami. O lugar hoje praticamente não existe mais. As águas carregaram tudo. Quase tudo. Sobrou pouca coisa. E em meio aquele vazio todo, não me sai da cabeça aquele olhar do senhor de cabelos ralos e brancos. Triste, perdido no horizonte. O mesmo horizonte que escondia um céu avermelhado de fim de tarde. Lindo, calmo e sereno. E agora?

    (da série microcrônicas, por Ewerthon Tobace, 27/09/11)

    “And now? I do not know what my life will become. ” The crying, inevitable and uncontrollable, took care of that old man’s life for days. He had no further reference. Lost house. Lost work. Lost family. As the city and the port of Minami Sanriku, a fishing village in the province of Miyagi, his hopes were taken away by tsunami. The place practically no longer exists today. The water charged everything. Almost everything. Left little. And amid all that emptiness, the look of that old man with white hair don’t get out of my mind. Sadly. Lost in the horizon. The same horizon that hid a red sky in the late afternoon. Beautiful, calm and serene. And now?

    (from micro chronic serie by Ewerthon Tobace, 09/27/11)

  • A história de Noriko

    Noriko

    Há três anos, uma garota filipina foi tema de diversos programas de tevê, capas de revistas e manchetes de jornais japoneses e também estrangeiros.

    A adolescente, chamada Noriko Calderon, de apenas 13 anos, teve de decidir em ficar no Japão – país onde nasceu e cresceu – ou voltar com os pais, deportados, para as Filipinas. Ela ficou e o caso ganhou os holofotes da mídia.

    Fiz uma entrevista com a garota para a revista Capricho (edição de 7 de junho de 2009, número 1072). Acho que ficou bem bacana. Para quem não conhece a história da menina, segue aqui um trecho do texto que foi publicado pela revista.

    As lágrimas que teimaram em não cair por tanto tempo, encharcaram as mangas do uniforme escolar de Noriko Calderon no dia 13 de abril de 2009. Foi naquela tarde, no aeroporto internacional de Tóquio, que a garota de 13 anos disse adeus aos pais, Arlan e Sarah. “Naquele dia de manhã fui para escola, como todos os dias. Só que voltei mais cedo e, quando saímos de casa, foi que bateu uma grande tristeza”, lembra a garota. “No caminho queria que o tempo parasse ou que o aeroporto não chegasse nunca.”

    Mas o temido momento chegou. E o drama da família filipina, que lutou por quase três anos na Justiça para poder permanecer no Japão, terminou ali, num abraço demorado e emocionado. Com as vozes embargadas, pais e filha fizeram promessas de se esforçarem para um dia, quem sabe, voltarem a viver felizes como antes. Todos juntos. A partir dali, a menina ficaria sozinha no Japão enquanto os pais seguiriam, deportados, para o país natal, as Filipinas.

    O lance todo começou em julho de 2006. Noriko estava na escola quando pai foi buscá-la. “Levei um susto porque ele ainda estava com o uniforme do trabalho”, conta. O coração palpitava forte e ela sentia no ar que algo não estava bem. “No caminho para casa, fiquei sabendo que minha mãe tinha sido presa e que eu não era japonesa, mas filipina. Não conseguia entender nada. Filipina, eu? Como?”, questionava.

    Até então, a garota achava que era japa, assim como os pais. Mas os Calderon, na verdade, tinham entrado no Japão com passaporte falso no começo dos anos 90. Noriko nasceu anos depois e cresceu sem saber desse pedaço da história dos pais. “Briguei na hora com meu pai porque achava que ele devia ter contado antes”, fala. “Mas depois, não toquei mais no assunto.”

    Esse é só um trecho da matéria. Mas acho que deu para conhecer a história da garota neh? Depois de mais de dois anos de batalha judicial, Noriko teve de fazer sua escolha. Os pais a apoiaram, já que ela só fala o japonês e quer terminar os estudos aqui. Ela vive agora com uma tia casada com japonês.