Tag: Japão

  • Se ela dança…

    Desengonçada, ela adentrou a classe. Não tinha dois meses que ia àquela academia, quase que diariamente, em busca de uma silhueta que combinasse com suas roupas justas. Queria ganhar mais flexibilidade também. Quem sabe poder cortar a unha do pé sem tanto malabarismo e sofrimento. Só se deu conta de que a aula não era de alongamento quando viu as colegas de sapatilha. Balé! “Vixi, dancei, literalmente”. Ela parecia uma marionete descontrolada na aula. As colegas riam. A professora ria. A academia toda ria. E não lhe restou alternativa, senão rir de si mesma. E depois daquele vexame todo, ela desistiu da silhueta e se conformou em gastar com a pedicura.

    ©Ewerthon Tobace, da série minicontos de amor, Dezembro/2021

    Arte/Illustration: ©ETo2021

    © Todos direitos reservados à Ewerthon Tobace. Este material não pode ser publicado, transmitido por broadcast, reescrito ou redistribuído sem autorização. © All rights reserved to Ewerthon Tobace. This material can not be published, broadcast, rewritten or redistributed without permission.

  • A viagem

    Uma lágrima escorre. E outra. E mais outra. Enquanto o avião ganha altura, um último olhar para a cidade. Na mente, subitamente, vem a imagem de uma cena de Peter Pan: a da viagem à Terra do Nunca, quando a cidade vai ficando pequena, distante… 

    Rostos queridos aparecem entre as estrelas coladas no céu escuro. A saudade, sempre impetuosa, aperta sem dó a alma. Não há volta. A próxima via de retorno só daqui a 12 horas – ou uma década, como planejado. Então, outra lágrima desliza pelo rosto, já visivelmente abatido pelo tempo…

    ©Ewerthon Tobace, da série minicontos de amor, Dezembro/2021

    Arte/Illustration: ©ETo2021

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  • Coragem

    A felicidade estava ali, na minha frente, mas não conseguia sequer abraçá-la. Algo estava errado. Sentia-me sujo, usado e descartado como se fosse um prato de papel puído. A festa já tinha acabado e eu insistia no encore

    ©Ewerthon Tobace, da série minicontos de amor, Dezembro/2021

    Arte/Illustration: ©ETo2021

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  • Drinks, beijos & cia.

    A acidez do suco de laranja misturada com o adocicado do licor de cassis tomava conta de suas papilas gustativas enquanto uma música irritante invadia seus ouvidos. Às vezes, não entendia uma só palavra do que o outro dizia. Mas gostava de ver seus lábios se movimentando rápido, deixando escapar um suave perfume de cerveja. Desejava aquela boca, mas não queria pular as etapas. O máximo que conseguiu naquela noite foi um beijo de despedida nas bochechas. E quando se deu conta, já ganhava a rua, apressada, para pegar a última condução de volta para casa. 

    ©Ewerthon Tobace, da série minicontos de amor, Dezembro/2021

    Arte/Illustration: ©ETo2021

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  • Para sempre

    “Eu te amo”, ouvi-a dizer ao telefone. Sabia que não era uma declaração de amor. Ela estava se despedindo. Quando desliguei o celular, um aperto tomou conta do meu peito e chorei feito uma criança. Sabia que nunca mais iria vê-la. Até hoje seu corpo não foi encontrado e, às vezes, acordo no meio da noite com uma lágrima presa nos olhos. Faria qualquer coisa só para vê-la mais uma vez e beijar seus lábios. 

    Ewerthon Tobace, da série de minicontos, 1/Dezembro/2021, baseado em depoimentos de parentes das vítimas do ataque às torres do World Trade Center)

    Arte/Illustration: ©ETo/2021

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  • A música japonesa mais famosa / The most famous Japanese song

    (English version below)
    Kyu

     

    Uma das canções japonesas que mais gosto é 上を向いて歩こう (Ue wo Muite Arukou – Andando olhando para o céu, em uma tradução livre), que ficou mundialmente conhecida como “Sukiyaki”. Quando vou ao karaokê sempre canto essa música. Aliás, foi através dela que aprendi os primeiros kanji (ideogramas), como ue (上) e arukou (歩こう), que signifcam “para cima” e “andar”, respectivamente.

    No dia 12 de agosto de 1985, o intérprete original dessa música, Kyu Sakamoto, morreu. Já assisti a vários documentários sobre a vida dele e resolvi dividir algumas informações com vocês.

    Mas primeiro, para quem não a conhece ou não se lembra da canção, dê uma olhada nesse vídeo:

    [youtube https://www.youtube.com/watch?v=C35DrtPlUbc]

    Kyu Sakamoto nasceu Hisashi Oshima em 10 de novembro de 1941, na cidade de Kawasaki (Kanagawa). Aliás, eu morei nessa cidade por alguns anos. Ele entrou para o showbusiness em 1960 e seu grande sucesso foi mesmo Ue wo Muite Arukou, lançado em 1961.

    Em 63, a música conquistou o ocidente. Mesmo sem entender a letra, os americanos se apaixonaram pela canção, que ficou por três semanas seguidas no topo da Billboard.

    Por que ficou conhecida como “Sukiyaki”? Diz a lenda que DJs precisavam de uma palavra que remetesse ao Japão facilmente. Escolheram sukiyaki, mesmo a palavra não sendo dita em nenhum momento na letra. Também já ouvi a história de que foi um maestro quem deu o nome quando a música foi gravada pela primeira vez na Europa. Ele achou que ninguém ia associar o nome/tradução à música de sucesso. Então escolheu sukiyaki.

    Ignorância à parte, o fato é que Ue wo Muite Arukou é uma das mais populares músicas japonesas no mundo. O dueto Hachidai Nakamura (música) e Rokusuke Ei (letra) foi o responsável pela criação do hit. Segundo Ei, a letra foi inspirada no sentimento de solidão dele depois que terminou um romance com a atriz Meiko Nakamura.

    Em 2011, a música foi usada para dar força às vítimas do tsunami que devastou a região nordeste do país.

    [youtube=http://youtu.be/s3woUe-b-Zc]

    Outras músicas famosas de Sakamoto são “Miagete Goran Yoru no Hoshi wo” (見あげてごらん夜の星を)” e “Shiawase Nara Te o Tatako” (幸せなら手をたたこう).

    O cantor morreu tragicamente num acidente de avião em 12 de agosto de 1985, quando o vôo 123 da JAL, que saiu de Haneda (Tóquio) em direção a Osaka se chocou com uma montanha e matou 520 e feriu quatro.

    No Brasil, o Trio Esperança gravou a versão em português, que ganhou o nome de “Olhando para o Céu”. Neste vídeo, versão em Alemão, Inglês, Francês, Português, Croata, Espanhol e Chinês (cantonês).

    Vale a pena ouvir também a versão cantada pela Daniela Mercury com ritmo bem brasileiro.

     

     

    [youtube https://www.youtube.com/watch?v=LCzNEG_gD0Y]

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    One of the Japanese songs I like the most is上 を 向い て 歩こ う (Ue wo Muite Arukou), which became known worldwide as “Sukiyaki”. When I go to karaoke always sing this song. Indeed, it was through it that I learned the first kanji (ideograms), as ue (上) and arukou (歩こ う), which means “up” and “go”, respectively.

    On August 12, 1985, the original singer of the song, Kyu Sakamoto, died. I have watched several documentaries about his life and decided to share some information.

    But first, for those who do not know or do not remember the song, take a look at the first video above.

    Kyu Sakamoto was born Hisashi Oshima on November 10, 1941, in Kawasaki City (Kanagawa). Coincidentally, I’ve lived in this city some years ago. He started on showbusiness in 1960 and his great success Ue wo Muite Arukou was released in 1961.

    In 63, the song spread across the West. Even without understanding the lyrics, Americans felt in love with the song, which was followed by three weeks on top of Billboard.

    But why “Sukiyaki”? They say that DJs needed a word to refer to Japan easily. So they chose sukiyaki – even this word is not being said at no point in the lyrics. I have also heard the story that was a maestro who gave the name when the song was first recorded in Europe. He thought no one would associate the name/translation to the hit song. Then he chose sukiyaki.

    Ignorance aside, the fact is that Ue wo Muite Arukou is one of the most popular Japanese songs in the world. The duet Hachidai Nakamura (music) and Ei Rokusuke (lyric) were responsible for creating the hit. According to Ei, the lyrics were inspired by the feeling of loneliness after he ended a romance with actress Meiko Nakamura.

    In 2011, the song was used to give strength to the victims of the tsunami that devastated the northeast region of the country.

    Other famous Sakamoto’s songs are “Miagete Goran Yoru no Hoshi wo” (見 あげ て ごらん 夜 の 星 を) “and” Shiawase Nara Te the Tatako” (幸せ なら 手 を たたこ う).

    The singer died tragically in a plane crash on August 12, 1985, when JAL Flight 123, which took of from Haneda (Tokyo) towards Osaka crashed into a mountain, killing 520 and wounded four.

    In Brazil, Trio Esperança recorded a Portuguese version, called “Looking to the Sky.” It’s worth listening to the version sung by Daniela Mercury with a traditional Brazilian rhythm (you can watch them above). The first one you will see the version in German, English, French, Portuguese, Croatian, Spanish and Chinese.

     

     

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  • Japan in slow motion – streets

     

    Mais um vídeo da série Japão em Câmera Lenta. Desta vez, uma típica rua comercial de bairro (shoutengai).

    Video project: Japan in slow motion. Projeto em vídeo: Japão em câmera lenta   © Todos direitos reservados a Ewerthon Tobace. Este material não pode ser publicado, transmitido por broadcast, reescrito ou redistribuído sem autorização. All rights reserved to Ewerthon Tobace. This material can not be published, broadcast, rewritten or redistributed without permission.

  • Japan in slow motion – sakura

    Neste vídeo do projeto “Japão em Câmara Lenta”, a flor símbolo do país: o sakura (ou flor de cerejeira). A primavera e o outono são, para mim, as estações mais bonitas do Japão – sem contar o clima mais agradável. A floração do sakura é curta (dura apenas umas duas semanas) e são mais de 300 espécies que colorem o país todo. Essa flor tem uma simbologia muito importante para os japoneses, que adoram apreciá-la. Por isso, os jornais e revistas, além de programas de tevê, trazem especiais com guia dos principais locais e previsão do pico da florada em cada região.

    In this video of the “Japan in Slow Motion” project, the country’s symbol flower: the sakura (cherry blossom).

  • Japan in slow motion – station

     

    This is my new project: Japan in slow motion. In this video, the platform of JR Gifu station. My idea is to show a little bit of Japan, through videos in slow motion for you to appreciate the details of this fabulous country.

    Meu novo projeto: Japão em câmera lenta. Neste vídeo, a plataforma da estação JR de Gifu.
    Minha ideia é mostrar um pouquinho do Japão, através de vídeos em câmara lenta para vocês apreciarem os detalhes deste país fabuloso.

  • Mangá do Hitler

    mangaHitler

     

    Os quadrinhos japoneses, conhecidos como mangá, conquistaram o mundo. Aqui no Japão, em qualquer loja de conveniência é possível encontrar essas revistas. E claro, existe estilo para todo tipo de público. Há alguns anos, fiz uma matéria para a BBC Brasil sobre mangás baseados em livros clássicos.

    Dois deles me chamaram a atenção: Mein Kampf (em português, Minha Luta), escrito na prisão por Adolf Hitler, e O Capital, de Karl Marx.

    A iniciativa foi da editora japonesa East Press, que resolveu incluir estas duas obras na sua coleção Clássicos da Literatura em Mangá.

    “A idéia é oferecer ao leitor a possibilidade de ler um clássico e entender os conceitos em apenas uma hora”, explicou o editor-chefe Kosuke Maruo à BBC Brasil.

    Mein Kampf é um livro polêmico, pois contém as sementes da ideologia anti-semita e nacionalista que marcou o nazismo. “A idéia não é apresentar Hitler como vilão ou herói, mas apenas mostrar quem era e o que ele pensava. Não estamos preocupados com polêmicas”, disse Maruo.

    O editor lembra também que o livro, cuja publicação e venda são proibidas em alguns países, já foi editado no Japão. “Além disso, todo mundo já conhece a história inteira e como os nazistas pensavam”, reforça ele, que diz não ter recebido até agora nenhuma reclamação de leitor.

    O mangá conta a história do líder nazista, desde a infância, até culminar na Segunda Guerra Mundial. Fala também do ódio que ele sentia pelos judeus. “Vendo a história de vida dele, não dá para achar que era uma pessoa totalmente ruim. Ele era apenas uma pessoa triste”, defendeu o editor-chefe.

    Entre as obras conhecidas da literatura e da filosofia que viraram mangá pela East Press estão Crime e Castigo, de Dostoiévski, Fausto, de Goethe, Rei Lear, de Shakespeare, e Guerra e Paz, de Tólstoi.

    O campeão de vendas é Kanikousen, inspirado na obra do escritor japonês Takiji Kobayashi. Na seqüência vem Os Irmãos Karamasov, de Dostoiévski. “Os títulos da série são obras que as pessoas conhecem, mas não têm muita paciência para ler até o fim”, justificou o editor-chefe. Daí o sucesso de vendas.

    Ao todo, segundo Maruo, já foram impressos 1,2 milhão de exemplares da série toda. Marx e o mangá de Hitler chegaram ao mercado com 30 mil cópias cada.

    MangaLivros

    Diversidade de temas

    Apesar da East Press ser uma das poucas no mercado a trabalhar com clássicos da literatura mundial, o segmento de mangás no Japão já vem usando há anos os traços orientais dos desenhos para explicar diversos temas.

    Relações diplomáticas com a China, degustação avançada de vinhos, epidemia da gripe aviária, parábolas da Bíblia e até a nossa capoeira já viraram mangá no país. O formato compacto, o baixo custo e a linguagem popular ajudam a transformar este tipo de publicação em sucesso de vendas.

     

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