Tag: Tokyo

  • O reino do peixe fresco

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    Os japoneses costumam dizer que qualquer coisa que vive na água pode ser encontrada à venda em Tsukiji, o maior e mais agitado mercado de pescados do mundo. A cada dia, 2,2 mil toneladas de pescado são comercializadas no lugar, movimentando cerca de US$ 15 milhões. Construído na região mais antiga de Tóquio – as primeiras peixarias surgiram por ali no século XVI – o espaço é o berço histórico de uma das iguarias mais adoradas do mundo e cartão de visitas da culinária nipônica: o sushi. Hoje o mercado é um dos principais pontos turísticos da capital japonesa e concentra centenas de pequenos comércios, responsáveis pelo abastecimento da maioria dos restaurantes, bares e hotéis do país. Visitei Tsukiji várias vezes para conhecer seus personagens e a diversidade e qualidade dos produtos ali vendidos. Em tempo: um passeio por lá não é completo se não culminar com a degustação do mais fresco e melhor sushi da cidade.

    Em tempo 2: Este ano, está programada a mudança de endereço do mercado. Então, corra se quiser apreciar os históricos corredores do local.

    Confira aqui a matéria publicada pela revista Status.

    Fotos: Garrie Maguire

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    © Todos direitos reservados à revista Status e Ewerthon Tobace. Este material não pode ser publicado, transmitido por broadcast, reescrito ou redistribuído sem autorização. All rights reserved to Status Magazine and Ewerthon Tobace. This material can not be published, broadcast, rewritten or redistributed without permission.

  • Camarões vivos com formiga

    Camarao(Matéria originalmente publicada pela BBC Brasil)

    Um prato feito de camarão vivo coberto por formigas pretas pode parecer fruto da imaginação de quem não entende nada de cozinha. Mas é uma criação do chef mais badalado da atualidade – e clientes estão pagando R$ 900 pelo menu que contém a iguaria.

    O restaurante dinamarquês Noma – que ficou em primeiro lugar quatro vezes na lista do 50 melhores do mundo da revista Restaurant– se mudou, temporariamente, para a capital japonesa.

    Até meados de fevereiro, aqueles que conseguirem fazer uma (disputada) reserva terão a oportunidade de experimentar um menu criado pelo “melhor chef da atualidade”, René Redzepi, exclusivamente para o público local.

    Os restaurantes japoneses são famosos por servirem os pescados mais frescos do mundo. Servir animais marinhos como peixes ou crustáceos ainda vivos não é incomum no país.

    Mesmo assim, o prato foi saudado na imprensa japonesa como “diferente de qualquer coisa já servida no Japão” (Japan Times).

    As formigas pretas “temperam” o camarão e são chamadas, no menu do Noma, de “sabores da floresta de Nagano”, uma referência à região montanhosa no norte do Japão.

    Segundo Redzepi, por causa das reservas naturais de ácido fórmico na região, as formigas dão uma leve acidez ao prato.

    Mas esta não é a primeira vez que o chef trabalha com o produto. O dinamarquês já utilizou formigas em outras criações no restaurante de Copenhague.

    No Japão, o restaurante ganhou o nome de Noma at Mandarin Oriental, Tokyo, e foi instalado no 37º andar do hotel, com vista para o Monte Fuji encoberto de neve.

    Toda a equipe do restaurante Noma foi levada para o Japão.

    A refeição completa inclui 16 pratos, mais bebida, e custa cerca de R$ 900 por pessoa. Quem quiser provar precisa correr: o menu só será servido até o dia 14 deste mês.

     

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  • Vitamina na veia

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    Pílulas de vitamina já são coisa do passado. Pelo menos no Japão, onde há alguns anos já se aplica uma dose de suplemento vitamínico diretamente na veia. A promessa de uma melhora rápida na saúde e também na estética tem conquistado cada vez mais adeptos. O melhor: a aplicação é simples, dura apenas 10 minutos e pode ser feita no intervalo do almoço.

    Na Europa e nos Estados Unidos, injeção de vitamina é popular entre celebridades. A ex-Spice Girl Geri Halliwell e o cantor Robbie Williams são dois exemplos. Eles já deram entrevistas nas quais afirmaram que apelam para as doses para evitar o cansaço, principalmente durante os tours. Já outros famosos usam as injeções de vitamina para manter a beleza. A ex-top model Cindy Crawford é um exemplo. A pele jovem e firme foi mantida graças às aplicações de vitamina C.

    A tal dose nada mais é que um soro, incrementado com vitaminas e minerais escolhidos pelo cliente. Na Tenteki 10 – “tenteki” em japonês significa “aplicação de soro” e o 10 é alusivo ao tempo que se gasta na aplicação –, a pioneira em Tóquio a oferecer esse tipo de serviço, são 11 variedades, indicadas por cores. O “azul”, mais popular entre os homens, possui vitaminas B1 e E, e é indicado para se recuperar da exaustão. Já o “rosa”, chamado também de “beleza total”, é o mais pedido entre as mulheres, pois possui substâncias que ajudam a manter a beleza da pele e retardam o envelhecimento.

    Homens e mulheres de idades variadas, na sua maioria assalariados, compõem o perfil da clientela que frequenta essas clínicas, localizadas, geralmente, em bairros nobres da capital japonesa. Apesar da pouca idade, a musicista Akari Nanba, 21, é uma frequentadora. Recentemente, ela escolheu o pacote “placenta”, que inclui substâncias que promovem o relaxamento, melhoram a aparência da pele e também colaboram para o bom funcionamento do fígado. “Fiquei realmente bem mais relaxada após a dose”, relata a jovem, que diz ter se sentido como uma celebridade por alguns minutos. “Não é um luxo?”, brinca ela, que descobriu a novidade através da internet.

    Os preços não são tão salgados. O pacote básico na loja visitada pela reportagem sai por cerca de ¥ 2.000 (US$ 20). A conta aumenta conforme vamos adicionando vitaminas (as tais das “cores”).

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    Palavra de médicos

    O médico japonês Manabu Daikoku, diretor da clínica Omotensando, onde está localizada uma das três lojas da Tenteki 10, diz que os pacientes são orientados sobre quais tipos de vitaminas tomar, de acordo com o objetivo da pessoa. “A absorção deste tipo de soro é de 100%, então o que não for aproveitado vai ser eliminado pelo corpo”, diz.

    Porém, a prática não é unanimidade entre médicos e nutricionistas. “Mais não é necessariamente melhor. A vitamina em excesso pode ser tóxica para o organismo”, alerta a médica Sonia Marie Tsushima. Ela explica que o fígado e os rins são os responsáveis por metabolizar a vitamina. O que estiver em excesso vai ser eliminado pelo suor, urina ou fezes. “Mas se o corpo não estiver sadio, então essa vitamina a mais pode causar uma série de problemas”, explica.

    Daikoku concorda com a brasileira e, por isso, sempre diz aos pacientes que nada substitui uma boa alimentação. “A comida possui outros nutrientes importantes para nosso organismo. Esse soro funciona apenas como um complemento”, decreta.
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    Eu tomei

    Como parte da reportagem, experimentei a tal a vitamina na veia. Além do pacote básico, que contém vitaminas do complexo B, optei por um adicional, o de vitamina C, que ajuda no combate do estresse. Antes de me sentar tive de preencher uma ficha médica e, ficou claro ali que a grande preocupação deles é com pessoas alérgicas. “Tem gente que não sabe se é alérgica a alguma substância, então fazemos testes antes”, explica a funcionária Miki Hayashi.

    As reações dependem de cada pessoa. Algumas sentem na hora a diferença. Outras nem tanto. “Tem cliente que diz que o corpo começa a esquentar, outros se sentem mais leves, a visão fica mais nítida e até a dor no ombro pode sumir”, conta Miki. Posso dizer que senti no dia seguinte que a dose tinha valido a pena. Estava com duas aftas enormes que simplesmente sumiram. Gostei tanto da experiência e pretendo repetir a dose. Mas só daqui a duas semanas, pois cada pacote tem um “prazo de validade”.

     

    Matéria publicada pela revista Made in Japan, em 2011, e adapatda para este blog. Mais sobre a Tenteki 10 clique aqui.

    © Todos direitos reservados à revista Made in Japan e a Ewerthon Tobace. Este material não pode ser publicado, transmitido por broadcast, reescrito ou redistribuído sem autorização. All rights reserved to Made in Japan Magazine and Ewerthon Tobace. This material can not be published, broadcast, rewritten or redistributed without permission.

  • Net rooms / Microquartos

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    Quartos minúsculos para aluguel – alguns medem menos de 2 metros quadrados – ficaram muito populares no Japão nos últimos anos.

    Antes usados apenas para um pernoite, eles se tornaram, desde a crise econômica de 2008/2009, abrigo temporário para uma classe de pessoas pobres que cresce nas grandes cidades japonesas.

    Este mercado, dirigido em sua maioria a estudantes ou trabalhadores temporários solteiros, aumentou e vem atraindo investimentos de empresas no ramo.

    Quitinetes de até 15 metros quadrados foram divididas em diversos quartos, que são alugados por curto período de tempo. Banheiro e cozinha são de uso coletivo.

    A diária varia de US$ 9 a US$ 30 dólares, dependendo do tamanho do quarto e dos serviços oferecidos.

    Se o aluguel for mensal, o hóspede desembolsa no mínimo US$ 270. Os pequenos quartos são a alternativa mais barata para sair das ruas.

    “Com a chegada da crise, no final de 2008, registramos uma ocupação de até 95% dos nossos apartamentos”, conta Koji Kawamata (foto), na época da entrevista, gerente geral da Tsukasa Urban Development, que oferece quartos com um computador e acesso a internet para procura de emprego, batizados pela empresa de “net rooms”.

    A Tsukasa tem cerca de 2,8 mil quartos disponíveis para aluguel em Tóquio, a maioria com cerca de 3 metros quadrados.

    Diferente dos famosos hotéis cápsulas e dos internet cafés, que também permitem um pernoite e são baratos, os microquartos garantem ao usuário um pouco mais de conforto – apesar do espaço ser suficiente apenas para um adulto se deitar.

    “É ótimo também para pessoas que não têm salário muito alto como eu e querem mais privacidade”, sugere Tomoaki Yoshikawa, de 37 anos.

    Ele usou um “net room” por alguns meses e hoje, após conseguir um emprego, vive num apartamento um pouco maior, de cerca de 13 metros quadrados.

    Segundo as empresas que alugam quartos temporários, a maioria dos clientes é do sexo masculino e está na faixa etária dos 30 aos 60 anos. Do final de 2008 para cá, muitos desempregados que recebem o seguro desemprego passaram a usar o serviço.

    A procura é grande também por pessoas que vêm do interior. O japonês Hiyama, de 41 anos, é um exemplo. Ele deixou a cidade de Hiroshima, depois de perder o emprego, para tentar a sorte na capital japonesa.

    “Vim com a intenção de fazer qualquer coisa, mas não achei que ia ser tão difícil”, conta ele.

    Hiyama ganha pouco – o valor ele não revela -, mas o suficiente para pagar as contas.

    “Alugar um desses quartos também ajuda na hora de procurar emprego, pois geralmente as empresas pedem um endereço fixo”, conta o japonês.

    (matéria publicada originalmente pela BBC Brasil, em 2009, e adaptada para o blog. Link:http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2009/04/090413_microquartos_japao_dg.shtml)

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    NetRoom2Tiny rooms for rent – some of them measuring less than 2 square meters – became very popular in Japan in recent years.

    In the past they were used only for an overnight stay, but since the economic crisis of 2008/2009, they became temporary shelter for a class of poor people that is growing in major Japanese cities.

    This business has increased and been attracting investments. Most who use this service are student or single worker.

    Kitchenettes up to 15 m were divided into several rooms which are rented for a short period of time. Bathroom and kitchen are common use.

    The rate ranges from $ 9 to $ 30 dollars per day, depending on the room size and services offered.

    If the rent is monthly, the guest pays at least $ 270. The small rooms are a cheaper alternative to get off the streets.

    “After the crisis in late 2008, we recorded an occupancy of up to 95% of our apartments,” says Koji Kawamata (pictured), at the time of the interview, general manager of Tsukasa Urban Development, which offers rooms with a computer and internet access for job search, baptized by the company as “net rooms”.

    The Tsukasa has about 2800 rooms available for rent in Tokyo, most with about 3 square meters.

    Unlike the famous capsule hotels and internet cafes, which also allow an overnight stay and are cheap, the net rooms guarantee the user a little more comfort – despite the space is just enough for an adult to lie down.

    “It is also great for people who do not have very high salary like me and want more privacy”, suggests Tomoaki Yoshikawa, 37.

    He used a “net room” for a few months and today, after getting a job, lives in an apartment a little bigger, about 13 square meters.

    According to the companies that rent this kind of rooms, the majority of customers are male and are between the ages of 30 to 60 years. From late 2008 to now, many unemployed who are receiving unemployment insurance started to use the service.

    The demand is great also for people coming from countryside. The Japanese Hiyama, 41, is an example. He left the city of Hiroshima, after losing his job to try his luck in the Japanese capital.

    “I came with the intention to do anything, but I didn’t thought it would be so difficult”, he says.

    Hiyama earns little – he does not reveal the value – but enough to pay the bills.

    “Rent one of these rooms also helps when applying for jobs, because companies usually ask for a fixed address,” said the Japanese.

    (Article published originally by BBC Brazil, in 2009, and tailored to the blog. Link: http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2009/04/090413_microquartos_japao_dg.shtml)

  • Ecotaxi

    ecotaxiJá vi este tipo de bicicleta-táxi em vários lugares do mundo. A ideia nasceu, na verdade, em Berlim (Alemanha) em 1997. No Japão, diversas cidades adotaram o sistema. Em Tóquio, nos principais bairros turísticos é possível encontrar alguns deles rodando pela rua. A grande vantagem, propagam os defensores deste sistema de transporte, é a baixa emissão de CO2.

    Com a atual discussão sobre conservação do meio ambiente e meios de controlar a emissão do dióxido de carbono, sem contar o cada vez mais caótico trânsito nas grandes cidades, o “ecotaxi” pode ser uma boa solução.

    Outro dia andei em um. O que achei bacana é que o ciclista/condutor, além de te levar para o lugar determinado, conta coisas interessantes sobre os lugares pelos quais vai passando. Eles oferecem também tours de 30 minutos ou 1 hora.

    Aproveitei e sondei a profissão. Eles ganham bem, apesar de todo esforço físico que fazem. Tiram em média, segundo meus cálculos, cerca de 20 mil ienes por dia (quase 200 dólares), o que daria uns 500 mil ienes (cinco mil dólares) se trabalhar 25 dias por mês e tiver pelo menos dez clientes por dia. Nada mal. Mas eles têm de fazer curso, a bicicleta é cara e tem de ter uma licença especial para trabalhar.

    Quando fui à Munique (Alemanha), também andei em um ecotaxi. Lá, a maioria dos ciclistas/condutores é imigrante do leste europeu. E a média por lá é de 250 euros por dia (cerca de 25 mil ienes). O diferencial é que na capital da Bavária você pode alugar facilmente uma destas bicicletas e não precisa de licença especial. Uma boa opção de bico para as férias não?

    Aqui um link útil sobre o ecotaxi no Japão: http://www.velotaxi.jp/

    I’ve seen this type of bicycle-taxi in various places around the world. The idea was actually born in Berlin (Germany) in 1997. In Japan, several cities have adopted the system. In Tokyo, you can find some of them running down the street of the main tourist districts. They say the big advantage of this transport system is the low CO2 emissions.

    When we think about the current discussion about conservation of the environment and ways to control the emission of carbon dioxide, not to mention the increasingly chaotic traffic in big cities, “ecotaxi” can be a good solution.

    The other day I tested one. The interesting thing is that the rider/driver not only drives you to the specific place but also tells you interesting things about the places you pass through. They also offer 30 minutes or 1 hour tours.

    I was excited and did a simple research about this profession. They earn well, despite all physical effort they make. They can earn, according to my calculations, about 20 thousand yen per day (almost $ 200), which would give about 500 thousand yen (five thousand dollars) if you work 25 days per month and have at least ten customers per day. Not bad. But they do have to do a course, the bike is expensive and must have a special license to work.

    When I went to Munich (Germany), also used a ecotaxi. There, most riders/drivers are immigrants from Eastern Europe. And there they earn an average of 250 euros per day (about 25,000 yen). The difference is that in the Bavarian capital you can easily rent one of these bikes and requires no special license. A good option for vacations, don’t you think so?

    Here a useful link on ecotaxi in Japan: http://www.velotaxi.jp/