Dois anos – Two years

Terremoto

A primeira visita à Minami Sanriku, uma pequena vila de pescadores na província de Miyagi, ficará para sempre gravada na minha memória. Fui até o povoado nos primeiros dias após o tsunami de 11 de março de 2011. Difícil descrever o que vi por lá. Parecia cena de filme de catástrofe. Paramos o carro logo na entrada da cidade e, mesmo sem saber a dimensão da tragédia, eu e três colegas de trabalho ficamos ali paralisados, apenas observando, por longos minutos.

Não trocamos nenhuma palavra. Não me lembro também de ter olhado para o rosto dos meus colegas. O silêncio era rompido apenas por carros que passavam pela estrada. Ao longe, o segundo piso de um sobrado parecia intacto em meio a tanta destruição. Um casal de japoneses caminhava com dificuldade em meio aos destroços. Procuravam por algo. Talvez uma foto ou qualquer objeto pessoal – tarefa quase impossível.

Um pouco mais distante, uma senhora lavava objetos num rio sujo. Ver fotos e brinquedos de criança em meio à lama me partiu o coração. Cada vez que avançávamos em direção ao mar, o cenário piorava. Era destruição demais. O olhar perdido das pessoas e a tristeza que pairava no ar se misturavam ao cheiro da água do mar que formava poças por todos os lados e criavam um clima pesado.

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Quando me lembro de determinadas cenas, meus olhos se enchem de lágrimas. O que será que aconteceu com a menina que, incansavelmente, não parava de chamar pela mãe entre os destroços? Ou as dezenas de crianças que ficaram por mais de um mês esperando os pais irem buscá-las na escola? E o senhor que viu a esposa e a mãe serem levadas pela onda gigante e não tinha como ajudá-las?

Milhares de histórias foram contadas. Todas trágicas.

Ainda há muito para ser reconstruído no Japão. E fico cada vez mais impressionado com a capacidade de se reerguer dos japoneses. Esse povo perdeu tudo em vários momentos da história e sempre conseguiu superar tudo, mesmo com sofrimento estampado no rosto.

Após um longo período de repouso, por causa de uma doença, voltarei a postar aqui. Para recomeçar essa fase, farei uma série sobre minha cobertura do terremoto/tsunami/desastre nuclear. Por favor, deixe seu comentário!

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The first time I’ve been to Minami Sanriku, a small fishing town in Miyagi prefecture, will remain forever engraved in my memory. I went to the village in the first days after the tsunami of March 11, 2011. Hard to describe what I saw there. It looked like the scene of a disaster movie. We stopped the car at the entrance of the city, and even without knowing the extent of the tragedy, me and three colleagues stood there paralyzed, just watching for long minutes.

We stayed there in silence. Nobody said any words. I do not remember also have looked into the faces of my colleagues. The silence was broken only by passing cars on the road. By far the second floor of a house seemed intact amid so much destruction. I saw a Japanese couple walking with difficulty in the wreckage. They were looking for something. Maybe a photo or anything personal – almost impossible task.

A little farther, a lady was washing objects in a dirty river. Having seeing photos and children’s toys in the mud broke my heart. Each time we moved towards the sea, the scenario worsened. It was too much destruction. The people were looking lost. And the sadness that hung in the air was mingled with the smell of sea water that formed puddles everywhere.  I felt heavy.

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When I think about some scenes, my eyes fill with tears. I wonder what happened to the girl who tirelessly kept calling his mother in the rubble? Or the dozens of children who stayed for over a month waiting for their parents go pick them up at school? And how about the old guy who saw his wife and mother being taken by the giant wave and could not help them?

Thousands of stories have been told. All tragic.

There is still much to be rebuilt in Japan. And I’m increasingly impressed with the ability to rise from the Japanese. These people lost everything several times in History and always managed to overcome all, even with pain on his face.

After a long rest period because of a serious illness, I am returning to post here. To start this phase, I will write about my coverage of the earthquake / tsunami / nuclear disaster. Looking forward to hear your comment.

12 thoughts on “Dois anos – Two years

  1. Muito triste!!!
    Mas admiro este povo maravilhoso que persevera e nunca desanima!
    Ewerton desejo a você melhoras!

  2. Parabéns pelo resumo que fizeste do terrível dia, em poucas palavras disse tudo o que o coração sentiu. Na medida do possivel estarei acessando o seu blog. Sucesso na empreitada.

  3. A sua visita a Minami Sanriku foi alguns dias depois. Imagine se fosse algumas horas após. Já nada se pode fazer pelos que morreram mas muito se pode fazer pelos vivos. O ano que passou tivemos a visita de algumas crianças sobreviventes, trazidas por uma senhora japonesa que vive aqui e pela embaixada do Japão. Não foi para serem exibidas, não. Foi para se distraírem e conhecerem outras crianças. Talvez para gravar em suas memórias algumas lembranças mais felizes da sua meninice.
    P.S. a sua doença parece ter sido séria. Espero que esteja totalmente recuperado.

    • Ola Afi,
      Pois é, há muitas histórias tristes. Essas crianças viram a morte de perto e precisam mesmo de momentos alegres para esquecer aqueles terríveis dias.
      Quero postar aqui algumas destas histórias não para ganhar audiência com dramas humanos, mas para não nos esquecermos de lutar pela nossa vida, sempre.
      A doença que tive realmente foi séria e me fez pensar muito sobre o que fazemos com nossa vida e como aproveitamos cada minuto dela.
      Obrigado pelo comentário! e vamos que vamos!

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